Diabetes pode causar problema no coração?
Diabetes Mellitus
Diabetes mellitus é uma doença caracterizada, principalmente, por um distúrbio do metabolismo dos carboidratos (açúcares), levando ao aumento da glicose (açúcar) no sangue que acarreta complicações metabólicas imediatas potencialmente fatais ou pode evoluir com uma série de complicações a longo prazo em diversos órgãos (coração, rins, olhos, etc).
Tipos:
Existem duas formas principais de diabetes: Diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2.
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Diabetes mellitus tipo 1: corresponde a 5-10% dos casos de diabetes mellitus e é caracterizado pela deficiência de insulina, a qual é um hormônio responsável pela entrada de glicose nas células. Assim, os pacientes são ditos como insulino-dependentes, ou seja, necessitam de doses de insulina diariamente. A maioria dos indivíduos com diabetes mellitus tipo I apresenta a doença antes dos 30 anos.
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Diabetes mellitus tipo 2: corresponde a 80-90% dos diabéticos e tem como característica uma resistência a ação da insulina associada a uma produção normal da mesma. Com o passar dos anos, entretanto, pode ocorrer diminuição progressiva da produção desse hormônio se não houver um acompanhamento médico adequado. Então, os pacientes inicialmente necessitam de hipoglicemiantes (redutores da glicose sanguínea) orais, ao invés de insulina. Normalmente, diabetes tipo 2 inicia após os 30 anos e torna-se mais comum com o avançar da idade.
Sintomas:
Os sintomas mais característicos do diabetes, e que devem levar a se pensar nesse diagnóstico, são: aumento do volume da urina (poliúria), aumento da ingestão de líquidos ou sede excessiva (polidipsia) e aumento da ingestão de alimentos ou sensação excessiva de fome (polifagia). Estes sintomas são decorrentes do aumento dos níveis sangüíneos de glicose.
Diagnóstico:
Diabetes pode ser diagnosticado por qualquer um dos seguintes critérios:
• Glicemia (colhida de forma aleatória) maior ou igual a 200 mg/dl (miligramas por decilitro), associada a sinais e sintomas compatíveis com diabetes mellitus (poliúria, polidipsia, polifagia, emagrecimento, etc).
• Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl em mais de uma ocasião.
• Teste de tolerância a glicose (glicemia 2 horas após a ingestão de 75 gramas de glicose em água) maior ou igual a 200 mg/dl em mais de uma ocasião.
Complicações:
No decorrer do tempo, a concentração elevada de glicose nos pacientes com diabetes mellitus lesa os vasos sangüíneos, os nervos e outras estruturas internas. Substâncias derivadas do excesso de açúcar se acumulam nas paredes dos pequenos vasos sangüíneos, produzindo certo espessamento. Ao espessarem-se, esses vasos transportam cada vez menos sangue, especialmente para a pele e para os nervos.
Os elevados níveis de glicose no sangue tendem a produzir um aumento da concentração no sangue de substâncias gordurosas (lipídeos), acarretando uma aceleração da aterosclerose (formação de placas de gorduras na parede das artérias). A aterosclerose é 2 a 4 vezes mais comum nos indivíduos diabéticos que nos não diabéticos, ocorrendo igualmente em homens e mulheres. A aterosclerose e suas manifestações (doença arterial coronariana, doença vascular cerebral e a doença arterial periférica) são as complicações mais graves nos portadores de diabetes mellitus.
A má circulação, seja através dos vasos sangüíneos pequenos, seja através dos vasos grandes, pode lesar o coração, o cérebro, os membros inferiores, os olhos, os rins, os nervos, a pele e, além disso, retarda a cura de lesões. Por todas essas razões, os indivíduos diabéticos podem apresentar muitas complicações graves a longo prazo.
O infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral são complicações comuns, sendo também as principais causas de morte nos diabéticos. A lesão de vasos sangüíneos do olho pode causar perda da visão (retinopatia diabética). A função renal pode ser comprometida, resultando em uma insuficiência que requer diálise. A lesão dos nervos pode manifestar-se de diversas formas. Quando os nervos que inervam os membros são lesados, pode ocorrer uma alteração da sensibilidade e o indivíduo pode apresentar formigamento ou sensação de queimação e fraqueza dos membros superiores e/ou inferiores. A lesão dos nervos da pele aumenta a probabilidade de lesões repetidas porque o indivíduo não consegue sentir as mudanças de pressão ou de temperatura. O suprimento sangüíneo inadequado para a pele também pode acarretar a formação de úlceras e todas as feridas cicatrizam lentamente.
As úlceras dos pés podem tornar-se profundas e infectadas, e sua falta de cicatrização associada a má circulação pode levar a uma amputação de parte do membro acometido. Evidências revelam que as complicações do diabetes podem ser evitadas, postergadas ou retardadas através do controle da concentração de glicose no sangue. O controle de outros fatores de risco cardiovascular, como a hipertensão arterial e o tabagismo, são fundamentais para evitar o aparecimento de complicações relacionadas ao quadro do diabetes mellitus.
Tratamento:
O principal objetivo do tratamento do diabetes mellitus é manter a concentração de glicose no sangue dentro dos limites de normalidade o máximo possível. Quanto mais a glicemia for mantida dentro da faixa de normalidade, menos provável será a ocorrência de complicações temporárias ou de longo prazo.
O tratamento do diabetes mellitus requer atenção ao controle do peso, à prática exercícios físicos e ao controle da dieta. Contudo, a redução de peso e o aumento dos exercícios físicos são difíceis para a maioria dos indivíduos diabéticos. Por essa razão, a terapia com medicamentos hipoglicemiantes orais e/ou reposição de insulina são freqüentemente necessários.
Texto escrito por: Thalita Rafaella Oliveira Trindade (Acadêmica de Medicina/ UFRN).