Aneurisma da Aorta Abdominal
O Conceito
Os aneurismas são definidos como uma dilatação do vaso sanguíneo; ou melhor; da parede arterial maior do que 50% do seu diâmetro normal. É uma doença perigosa, pois na maior parte dos casos não apresenta sintomas. A mortalidade cirúrgica é em torno de 50 % dos pacientes que chegam vivos ao hospital, decorrentes de sua ruptura. Só para se ter uma idéia, o aneurisma da aorta abdominal roto é a 13° causa de morte nos EUA e a 10° causa no Canadá, entre homens acima de 65 anos.
Os aneurismas da aorta abdominal são mais freqüentes em homens e se observa que em mais de 50% dos pacientes a hipertensão arterial está presente.
A incidência do aneurisma da aorta abdominal é de 30 a 66 casos por 1000 habitantes, tendo aumentado nos últimos anos e acredita-se que isso se deve a alguns fatores como:
- Aumento da vida média das pessoas, aumentando com isso o percentual de pessoas idosas
- Aparecimento de métodos de diagnóstico mais simples, menos invasivos e mais eficazes
- O maior conhecimento sobre essa doença pelos médicos
O Surgimento
Os aneurismas derivam em geral de um enfraquecimento da parede arterial. Qualquer tipo de alteração da parede arterial quer congênita ou adquirida, que provoque enfraquecimento ou comprometa a resistência da parede arterial, pode se constituir no agente etiológico da formação do aneurisma em uma artéria. A arteriosclerose é a causa mais freqüente destes aneurismas.
Os Sintomas
O aneurisma da aorta abdominal muitas vezes pode ser assintomático, sendo percebido durante um exame clínico ou através de exame complementar para investigar outra doença. O paciente pode sentir uma pulsação no abdômen, um desconforto abdominal mal definido, uma massa ou mesmo a presença de uma cor azulada nos dedos do pé.
Na presença de dor abdominal de início agudo e de forte intensidade é possível que o aneurisma esteja em processo de rotura, com grande risco a vida do paciente.
O Diagnóstico
Podem ser sugerido através de um simples Raio-X de abdômen ou exame físico, como diagnosticado através de uma ultrassonografia abdominal, uma tomografia computadorizada, uma aortografia (arteriografia), uma ressonância nuclear magnética.
O Tratamento
O tratamento requer um adequado conhecimento da história natural do aneurisma, das doenças que o paciente possui e dos riscos da cirurgia, seja ela convencional ou endovascular.
Os aneurismas assintomáticos têm indicação cirúrgica eletiva e obedecem a alguns critérios, como o risco de ruptura, risco da cirurgia e expectativa de vida do paciente. O risco de ruptura é basicamente relacionado ao diâmetro do aneurisma. Os aneurismas com dimensões maiores têm um risco mais elevado de rompimento.
A cirurgia, quando indicada, se faz necessária para evitar que os aneurismas se rompam (causando grande perda de sangue e levando a morte mais da metade dos doentes, que é a complicação mais freqüente e temida) ou provoquem trombose, embolias (obstrução súbita e total do fluxo sangüíneo em uma artéria devido a presença de coágulos, podendo até levar a gangrena dos membros e com isso amputação dos mesmos). A cirurgia consiste na retirada do aneurisma, com restabelecimento do fluxo arterial com uso de prótese (cirurgia convencional). Ou através da técnica endovascular, menos invasiva, onde é colocada uma prótese internamente ao aneurisma, com exclusão do mesmo.
Caro Leitor
Diante do exposto e da percepção de quão importante é esta patologia, se faz necessário a importante conversa médico-paciente, suas queixas e dúvidas, assim como sua rotineira avaliação física, tornando a descoberta precoce e a sobrevida mais duradoura.
Dr Leonardo Carletto Borges
Angiologia e Cirurgia Vascular